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segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Nossas Asas


Texto enviado por Joemir Rosa, obrigada pela colaboração.

“Desde muito novos temos uma estranha sensação nas costas. Custam-nos muito, movimentos como o rastejar, o enterrar ou o arrastar. Olham-nos com desconfiança. Não entendemos bem o que nos falta e porque teimam em dizer que nos falta alguma coisa. Quando nos nascem as pequenas asas existe uma tendência quase natural para as esconder, não vá o diabo tecê-las e apontarem-nos também o dedo por termos algo de extraordinário. Evitamos grandes exposições, somos discretos e naturalmente calados. A medo e quase só em intimidade é que vamos abrindo as nossas pequenas asas. Os primeiros vôos fazem-se em casa onde, normalmente, nos impulsionam e exemplificam os vôos. Depressa nos habituamos às alturas, a ver as diferentes perspectivas da terra, das pessoas e objetos. Gostamos de dias de sol e de vento na cara. Em terra falta-nos algo, sentimo-nos presos, respiramos com dificuldade.

Temos várias designações porque as pessoas gostam muito de rotular, etiquetar e tipificar, sobretudo o que diz respeito aos outros. Uns chamam-nos cabeças no ar, alienados, almas do outro mundo e até loucos. Outros, porque não sabem bem quem são, procuram um modelo e dizem-nos heróis quando na verdade aquilo que temos é mesmo e nada mais do que asas.

Vamos ganhando altura. As asas já não recolhem, em terra tropeçamos e derrubamos tudo. No céu, planamos e fazemos piruetas, somos ágeis.

O acasalamento é difícil, não há muitas pessoas com asas, os rituais são arriscados e temos um pouso muito incerto. Mesmo em bando somos considerados um pouco solitários e muito independentes.

Os anos vão passando, vamos envelhecendo, as asas ficam mais queimadas pelo sol, porém persistimos, insistimos no vôo. Fazemos menos milhas, temos necessidade de ir mais vezes à terra. Então aí reinventamos novas formas de voar e, às vezes, ficamos apenas parados a observar o céu e pensar que já conhecemos uma considerável parte do mundo”.

2 comentários:

Andrey Aspetta disse...

Estranha reflexão esse texto me trouxe. A de que, à medida que vamos evoluindo e crescendo, torna-se mais difícil encontrarmos outras pessoas com asas. Isso deve fazer parte da evolução ... principalmente pelo fato de não precisarmos tanto nos apoiar e nem "vampirizar" ninguém. É na solidão que encontramos o tempo que precisamos para meditar e crescer!
Deve ser isso!

Andrey, from Venice.

Marilda Jorge disse...

Olá querido Andrey!
A explicação é bem simples: Uma pirâmide existe e quanto mais subimos e galgamos a sua ponta...mais sózinhos ficamos. São poucos que conseguem subir...a maioria fica estagnada por comodismo, na parte de baixo. Fique tranquilo os seres com asas vão lhe buscar em qualquer ponto da pirâmide.
Aguarde e muita Luz e Paz.

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